O TOEFL existe desde 1964. Em mais de sessenta anos de história, passou por três grandes reformulações: a prova em papel, a versão por computador nos anos 1990 e o iBT, lançado em 2005 e aplicado inteiramente pela internet. A mudança que entrou em vigor em 21 de janeiro de 2026 é a quarta, e a própria ETS, empresa responsável pelo exame, chama de a reformulação mais profunda desde o nascimento do iBT.

O motivo declarado é simples: o teste tinha ficado longo demais. Quase três horas seguidas de leitura, áudio, fala e escrita cansam qualquer candidato, e cansaço no meio de uma prova prejudica desempenho tanto quanto falta de vocabulário. A resposta da ETS foi cortar o tempo total quase pela metade, redesenhar as tarefas de cada seção e trocar a escala de pontuação inteira.

Pra quem está de olho num intercâmbio, um mestrado fora ou um visto de trabalho que exige comprovação de inglês, essa mudança pega em cheio o planejamento: muda o que estudar, muda como o resultado aparece no boletim e, em alguns casos, muda até o intervalo entre a inscrição e a data da prova.

Resumo rápido

A partir de 21 de janeiro de 2026, o TOEFL iBT passou a durar cerca de 90 minutos, quase metade das duas horas do formato anterior. A pontuação mudou de uma escala de 0 a 120 para uma escala de 1 a 6 alinhada ao CEFR, e as seções de reading e listening agora são adaptativas, ajustando a dificuldade das perguntas conforme o desempenho do candidato.

O que não mudou: o exame continua avaliando as mesmas quatro habilidades (leitura, escuta, fala e escrita), a validade do resultado segue em dois anos, e a aceitação por universidades e órgãos de imigração continua igual, com um período de transição até 2028 para as instituições se ajustarem à nova escala.

O que é o TOEFL e para que ele serve

TOEFL é a sigla de Test of English as a Foreign Language, exame de proficiência em inglês criado nos Estados Unidos e aplicado pela ETS (Educational Testing Service), a mesma organização por trás do GRE e do TOEIC. A prova mede a capacidade de entender e se comunicar em inglês num contexto acadêmico: ler um texto complexo, acompanhar uma aula, participar de uma discussão, escrever um texto argumentativo.

É aceito por mais de 12 mil universidades e instituições em mais de 160 países, o que faz dele um dos dois exames de inglês mais usados do mundo, ao lado do IELTS. No Brasil, aparece com frequência em processos de intercâmbio, bolsas de pós-graduação e pedidos de visto de trabalho ou de residência em países de língua inglesa.

A reformulação de 2026: o que mudou

A mudança que valeu a partir de 21 de janeiro de 2026 mexeu em praticamente tudo: duração, tipos de tarefa, e até o comportamento das seções durante a prova. A tabela resume o que mudou em cada uma.

TOEFL 2026: o que muda em cada seção
Seção Duração no novo formato Principal mudança
Reading18 a 27 minTextos curtos (150 a 200 palavras) no lugar de passagens de até 700 palavras; nova tarefa "Complete the Words"; seção adaptativa
Listening18 a 27 minPalestras acadêmicas mais curtas, somadas a novas conversas do cotidiano universitário; seção adaptativa
SpeakingCerca de 8 minTarefas integradas (ler, ouvir e falar) foram extintas; entram "Listen and Repeat" e uma entrevista simulada com 4 perguntas
Writing23 minSai o ensaio longo independente; entram "Build a Sentence", "Write an Email" e "Academic Discussion"

Duas mudanças chamam mais atenção que as outras. A primeira é o corte na seção de speaking, que perdeu as tarefas em que o candidato lia ou ouvia um trecho e depois precisava resumir e opinar em voz alta, e ganhou uma entrevista simulada com perguntas mais parecidas com uma conversa real. A segunda é o fim do ensaio longo e independente do writing, substituído por três tarefas curtas e mais próximas de situações do dia a dia, como responder um email profissional.

O conteúdo também mudou de perfil. Em vez de textos e áudios cem por cento acadêmicos, agora aparecem emails de universidade, avisos de campus, posts de fórum e conversas informais entre colegas, ao lado das palestras e leituras tradicionais. A ETS descreve o resultado como um teste à prova de decoreba: quem treinou só pra reconhecer um formato fixo de resposta tende a sentir mais dificuldade do que quem lê e ouve inglês de verdade no dia a dia.

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Reading e listening ficaram adaptativos: o que isso muda na prática

Reading e listening agora usam um formato chamado multistage adaptive testing. A prova não troca de pergunta a cada resposta, como em provas adaptativas mais agressivas; ela ajusta o nível de dificuldade por blocos, dentro da própria seção. Quem acerta bem no primeiro bloco recebe questões mais desafiadoras no bloco seguinte, e quem erra mais recebe questões mais acessíveis.

Na prática, isso ajuda a explicar por que a soma das duas seções caiu tanto: de bem mais de uma hora, no formato anterior, para algo entre 36 e 54 minutos juntas hoje. Não dá pra treinar o algoritmo, mas dá pra se preparar melhor: um desempenho consistente do início ao fim pesa mais do que arriscar tudo na primeira pergunta e relaxar depois.

A nova pontuação: da escala de 0 a 120 para a escala de 1 a 6

Até 20 de janeiro de 2026, o resultado do TOEFL era a soma de quatro notas de 0 a 30, uma por seção, com total possível de 120 pontos. A partir do dia seguinte, cada seção passou a receber uma nota de 1.0 a 6.0, em incrementos de meio ponto, alinhada diretamente aos níveis do CEFR (Common European Framework of Reference), a mesma escala usada por escolas de idioma e por outros exames, como o próprio IELTS.

Escala de 1 a 6 e equivalência com o CEFR
Nível CEFR Faixa na escala 1-6
A11,0 a 1,5
A22,0 a 2,5
B13,0 a 3,5
B24,0 a 4,5
C15,0 a 5,5
C26,0

A pontuação geral também mudou de cálculo: não é mais soma, é a média das quatro notas, arredondada pra meia banda mais próxima. Um candidato com 5,0 em reading, 4,5 em listening, 4,0 em speaking e 5,0 em writing, por exemplo, fecha com média 4,5, equivalente a B2.

Pra não pegar universidade e candidato de surpresa, a ETS criou um período de transição até janeiro de 2028: durante esses dois anos, cada boletim mostra três informações juntas (nível CEFR, nota de 1 a 6 e uma pontuação equivalente na escala antiga de 0 a 120), dando tempo das instituições atualizarem seus critérios mínimos sem deixar ninguém no limbo.

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O que continua igual

Em meio a tanta mudança de formato, vale separar o que é realmente novo do que segue como sempre foi. O propósito do exame não mudou: continua medindo inglês pra fins acadêmicos e profissionais, com as mesmas quatro habilidades de sempre. A validade do resultado também não mudou, dois anos a partir da data da prova. E o exame continua sendo aplicado pela ETS, nos mesmos dois formatos: em centro de testes ou pelo TOEFL iBT Home Edition, direto de casa.

A taxa de inscrição também não sofreu reajuste por causa da reformulação. No Brasil, como o pagamento é cobrado em dólar, o valor final em reais varia com o câmbio do dia, mas costuma ficar entre R$ 1.200 e R$ 1.500.

Um detalhe que passa despercebido: apesar de mais curto, o teste não ficou mais fácil. Ficou mais direto. Quem chega despreparado pro formato novo, esperando as tarefas antigas, tende a se atrapalhar tanto quanto quem nunca estudou inglês de verdade.

Dicas práticas pra quem vai prestar o TOEFL no novo formato

Algumas mudanças de estratégia valem mais a pena que outras nesse formato reformulado:

  • Treine leitura rápida de textos curtos: como os textos caíram para 150 a 200 palavras, o gargalo deixou de ser fôlego e passou a ser velocidade de leitura com precisão.
  • Pratique a entrevista simulada em voz alta: o novo speaking se parece mais com uma conversa natural do que com um discurso decorado, então simular perguntas e responder na hora ajuda mais do que ler um roteiro pronto.
  • Familiarize-se com o email profissional em inglês: a tarefa "Write an Email" cobra um registro formal específico, diferente do ensaio acadêmico que saiu da prova.
  • Não tente prever o próximo nível de dificuldade: como reading e listening são adaptativos, o que importa é o bloco de perguntas em andamento, e tentar "ler o algoritmo" só tira o foco do conteúdo.
  • Confira a pontuação mínima exigida na escala nova: instituição que ainda não atualizou o requisito interno pode estar pedindo um número que não bate mais com o boletim atual. Vale confirmar antes da inscrição.
Mão segurando uma pasta de diploma de graduação com capa preta e letras douradas
Certificado, diploma e histórico escolar costumam andar juntos na papelada de quem vai estudar fora.

Quando o certificado do TOEFL precisa de tradução juramentada

Quem presta TOEFL quase sempre está no meio de um processo maior: pedido de bolsa, matrícula em universidade estrangeira, visto de trabalho ou de estudo. E boa parte desses processos não pede só o certificado do TOEFL. Pede também histórico escolar, diploma, certidão de nascimento e, às vezes, até antecedentes criminais, tudo traduzido.

O certificado do TOEFL em si costuma ser aceito em inglês, sem tradução, porque já é emitido em inglês e a instituição que recebe normalmente também opera em inglês. A exigência de tradução juramentada aparece mais quando o processo passa por um órgão público fora do ambiente acadêmico, caso de alguns pedidos de visto ou de reconhecimento profissional, ou quando a universidade de destino fica num país que não usa o inglês como idioma oficial (Alemanha, Itália, Japão) e pede que toda a documentação do processo, TOEFL incluso, seja vertida pro idioma local. Em alguns desses países também é exigida Apostila de Haia antes da tradução.

Histórico escolar e diploma, esses sim, quase sempre precisam de tradução juramentada, feita por tradutor público registrado na Junta Comercial, independente do destino escolhido.

Vai atrás de trabalho fora depois do TOEFL?

Contrato de trabalho, carta oferta e diploma também costumam precisar de tradução juramentada dependendo do país de destino. Fala com a gente antes de reunir a papelada toda.

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Antes de embarcar, vale a pena separar a papelada com calma: o TOEFL é só uma peça de um processo que costuma envolver vários documentos diferentes, e organizar tudo com antecedência evita correria na reta final. Quem está mirando um país que aparece com frequência em vagas pra brasileiros, como os do ranking de destinos que mais contratam, ganha tempo revisando a lista de exigências antes mesmo de marcar a data da prova.