A Islândia não tem exército. Fora a guarda costeira e uma unidade policial de resposta rápida, o país inteiro depende da OTAN para qualquer coisa que exija força militar. Mesmo assim, ou talvez justamente por isso, lidera pela 19ª vez consecutiva o ranking dos países mais seguros do mundo, divulgado em 2026 pelo Institute for Economics and Peace (IEP).
O levantamento se chama Global Peace Index e avalia 163 países usando 23 indicadores que vão de taxa de homicídio a gasto militar per capita. Não é uma lista de destinos turísticos nem um ranking de qualidade de vida: é um retrato de o quão perto, ou longe, cada país está de um conflito, seja ele criminal, social ou armado.
Pra quem pensa em se mudar, estudar ou simplesmente viajar com mais tranquilidade, esse tipo de dado pesa tanto quanto salário ou custo de vida. E como grande parte desses destinos exige visto, matrícula em universidade ou contrato de trabalho, a papelada traduzida entra na conversa antes do que a maioria imagina.
A Islândia lidera o ranking dos países mais seguros do mundo em 2026, seguida por Nova Zelândia, Suíça, Eslovênia, Irlanda, Áustria e Portugal. O índice usado é o Global Peace Index, do Institute for Economics and Peace, que avalia 163 países em três frentes: segurança da sociedade, conflitos em andamento e militarização.
Para brasileiros que pretendem morar, estudar ou trabalhar nesses países, documentos como diploma, histórico escolar, certidões e contrato de trabalho geralmente precisam de tradução juramentada, e em vários casos também de Apostila de Haia, antes de dar entrada no visto.
O que é o Global Peace Index e como ele é calculado
Quem publica o índice é o Institute for Economics and Peace, um centro de pesquisa independente com sede na Austrália. A metodologia cobre 99,7% da população mundial e combina dados de organizações como ONU, Banco Mundial e institutos de pesquisa militar, organizados em três grandes domínios.
- Quem publica
- Institute for Economics and Peace (IEP)
- O que mede
- 23 indicadores qualitativos e quantitativos
- Cobertura
- 163 países e territórios (99,7% da população mundial)
- Três domínios avaliados
- Segurança da sociedade, conflitos internos e externos, grau de militarização
A edição de 2026 não trouxe boas notícias no cenário geral: é o nível de paz mais baixo desde que o índice começou a ser calculado. Noventa e nove países pioraram em algum indicador, e o custo global da violência chegou a US$ 21,81 trilhões em 2025, o equivalente a 10,5% do PIB mundial. Um dado que chama atenção à parte: ataques com drones cresceram mais de 11.000% entre 2018 e 2025.
Os 10 países mais seguros do mundo em 2026
| Posição | País | Região |
|---|---|---|
| 1º | Islândia | Europa (nórdicos) |
| 2º | Nova Zelândia | Oceania |
| 3º | Suíça | Europa |
| 4º | Eslovênia | Europa |
| 5º | Irlanda | Europa |
| 6º | Áustria | Europa |
| 7º | Portugal | Europa |
| 8º | Singapura | Ásia |
| 9º | Finlândia | Europa |
| 10º | Japão | Ásia |
Sete dos dez primeiros colocados são europeus, um padrão que se repete há anos nesse índice. A seguir, um resumo de cada um dos primeiros da lista, e o que pesa na hora de um brasileiro considerar se mudar pra lá.
Os primeiros colocados, um a um
Islândia
A Islândia lidera o ranking pela 19ª vez consecutiva, uma sequência que nenhum outro país chega perto de repetir. A explicação de sempre: cerca de 380 mil habitantes, nenhuma força armada permanente, coesão social ainda alta e um Estado de bem-estar que resolve boa parte dos conflitos antes que virem crime. Pra brasileiro, o obstáculo raramente é a segurança, e sim o clima, o custo de vida e um idioma que quase ninguém fala fora da ilha. Quem se muda pra lá costuma ir por trabalho especializado (pesca, energia geotérmica, turismo) ou por um parceiro islandês, não como primeira escolha espontânea.
Nova Zelândia
Isolada no Pacífico Sul, a Nova Zelândia sobe uma posição em relação à edição anterior e mantém a fama de destino tranquilo, com criminalidade violenta baixa e um sistema de vistos relativamente organizado. O país tem um programa de visto de trabalho qualificado, o Skilled Migrant Category, e recebe brasileiros principalmente em agricultura, construção civil e tecnologia. A distância é o preço a pagar: não existe voo direto do Brasil, e a viagem costuma passar por dois ou três países no caminho.
Suíça
A Suíça oscila entre a segunda e a quarta posição do ranking há anos, sempre perto do topo sem nunca liderar. Segurança alta convive com um dos custos de vida mais altos do planeta, e o sistema de cotas anuais para trabalhadores de fora da União Europeia torna a entrada mais burocrática do que a fama de país organizado sugere. Quem consegue fechar um contrato de trabalho antes de embarcar, no entanto, encontra salários que compensam boa parte do esforço.
Irlanda
A Irlanda entra no top 5 puxada por baixa criminalidade e ausência de conflitos internos, e virou um dos destinos mais procurados por brasileiros na última década, muito por causa do inglês e de uma comunidade brasileira já estabelecida em Dublin e no interior do país. O lado B é a crise habitacional: encontrar aluguel virou um desafio à parte, independente de a papelada estar em dia ou não.
Áustria
Vizinha da Suíça em posição e em reputação, a Áustria combina baixa criminalidade com um sistema de saúde pública bem avaliado. Viena aparece com frequência em rankings de qualidade de vida entre grandes cidades do mundo, o que ajuda a explicar por que o país atrai tanto estudante de intercâmbio quanto profissional de música e artes, área em que a tradição austríaca ainda pesa na hora de escolher onde estudar.
Portugal
Portugal é o único país de língua portuguesa no top 10, e de longe o mais procurado por brasileiros entre os primeiros colocados. A ausência de barreira de idioma facilita tudo, da adaptação ao primeiro emprego, e a burocracia migratória, hoje conduzida pela AIMA, segue mais simples do que a da maioria dos vizinhos europeus. Portugal já é o segundo maior destino de brasileiros no exterior, atrás só dos Estados Unidos, e por isso aparece também em outros textos deste blog sobre trabalho e cidadania na Europa.
Fecham o top 10 Singapura, cidade-estado asiática com vigilância urbana intensa e punições severas até para pequenos delitos; a Finlândia, outra nórdica com Estado de bem-estar robusto; e o Japão, único da lista onde a segurança convive com uma das maiores densidades populacionais do planeta, prova de que aglomeração não é sinônimo de violência quando a rede social funciona.
Os países menos seguros: dois rankings, duas histórias diferentes
No fim da lista do Global Peace Index estão países em guerra ou com conflito armado ativo: Rússia (que assumiu a última posição pela primeira vez em 2025 e segue lá embaixo em 2026), além de Sudão, República Democrática do Congo, Ucrânia e Israel. É basicamente um mapa dos lugares com guerra declarada ou tensão militar crônica, não necessariamente dos lugares mais arriscados pra um turista andar na rua à noite.
Uma pesquisa diferente, feita pela seguradora de viagem Squaremouth com 113 países, mede outra coisa: o quanto quem viaja sozinho se sente seguro à noite, a qualidade dos serviços de saúde locais e o risco de desastre natural. Por esse critério, os destinos mais arriscados pra viajar sozinho em 2026 são Venezuela, Peru, Gabão, Colômbia, Bolívia, Jamaica, Guiana, Equador, Trinidad e Tobago e África do Sul, com a Venezuela isolada na primeira posição: menos de 10% dos moradores dizem se sentir seguros andando sozinhos à noite.
Do lado seguro dessa mesma pesquisa aparecem San Marino, Andorra, Singapura, Áustria, Tchéquia, Catar, Estônia, Brunei, Dinamarca e Eslovênia, quatro deles repetindo presença no Global Peace Index. A coincidência não surpreende: países pequenos, com Estado presente e baixa desigualdade tendem a aparecer bem em qualquer metodologia usada.
E o Brasil, nessa história toda? Aparece na 124ª posição do Global Peace Index 2026, no meio da tabela, longe do topo mas também longe da zona de guerra. Os Estados Unidos, apesar de serem o principal destino de brasileiros no exterior, ficam pior colocados: 134º lugar, atrás do Brasil e de vizinhos sul-americanos como Uruguai (o melhor colocado da região), Chile, Paraguai e Argentina.
Documentos que pedem tradução juramentada para morar nesses países
Segurança pesa na escolha do destino, mas não abre a porta sozinha. Visto de trabalho, matrícula escolar, contrato de aluguel: cada processo migratório tem sua própria lista de documentos, e a maioria dos países do topo do ranking, justamente por serem bem organizados, é rigorosa com a papelada.
- Diploma e histórico escolar: para matrícula em universidade ou validação profissional
- Certidão de nascimento e casamento: exigidas em pedidos de residência e reagrupamento familiar
- Antecedentes criminais: praticamente todo visto de longa duração pede
- Contrato de trabalho ou carta oferta: base dos vistos de trabalho qualificado
- Comprovante de renda ou vínculo bancário: comum em vistos de longa permanência e aposentadoria
- Currículo e certificados profissionais: para candidaturas formais e credenciamento em conselhos locais
A regra muda de país pra país, mas o padrão se repete: documento emitido no Brasil só tem validade legal lá fora depois de passar por tradução juramentada, feita por tradutor público registrado na Junta Comercial. Em boa parte da Europa, casos de Suíça, Áustria, Portugal e Irlanda, também é exigida a Apostila de Haia antes da tradução, o que significa organizar dois processos, não um.
Segurança é importante, mas não é o único critério
Nenhum desses rankings substitui uma pesquisa própria sobre custo de vida, mercado de trabalho pro seu setor e clima (a Islândia é linda, mas o inverno tem poucas horas de luz do dia). Segurança costuma ser o ponto de partida de quem já decidiu sair do Brasil, não a decisão inteira.