Mais de 1,2 milhão de estudantes internacionais estudavam nos Estados Unidos em 2025, segundo o relatório Open Doors do Institute of International Education, e o Brasil está entre os países que mais enviam gente para lá. Apesar de o Erasmus europeu e os programas dentro da América Latina dominarem boa parte da conversa sobre intercâmbio, os EUA seguem sendo o destino que mais recebe estudantes estrangeiros do mundo inteiro.
O problema é que o processo americano tem um jeito próprio de funcionar, cheio de siglas (F-1, J-1, SEVIS, I-20, DS-2019) que confundem até quem já pesquisou bastante. Este guia organiza o que muda entre os principais tipos de intercâmbio, quanto custa de verdade e quais documentos brasileiros precisam de tradução juramentada antes da entrevista no consulado.
Existem três vistos usados em intercâmbio para os Estados Unidos: F-1 para estudos acadêmicos em tempo integral, J-1 para programas de intercâmbio cultural (high school, au pair, Work and Travel, estágio) e M-1 para cursos técnicos. Cada um tem regras próprias de permanência e de trabalho.
Some as taxas do processo (SEVIS mais a taxa consular) e você já passa de US$ 400 antes mesmo de pensar em passagem ou mensalidade. Depois, quase todo documento acadêmico e financeiro brasileiro precisa passar por um tradutor juramentado para ser aceito pela instituição ou pelo consulado.
Os três vistos usados em intercâmbio para os Estados Unidos
A primeira decisão de quem vai atrás de um intercâmbio nos EUA não é bem o programa, é o tipo de visto. Ele muda conforme a natureza do intercâmbio: se é um curso com matrícula formal em uma escola americana, ou se é um programa de intercâmbio cultural organizado por uma agência credenciada pelo governo dos Estados Unidos.
| Visto | Uso principal | Quem emite o documento | Permite trabalhar |
|---|---|---|---|
| F-1 | Estudos acadêmicos em tempo integral (escola, graduação, pós, curso de inglês) | A instituição de ensino, via formulário I-20 | Limitado, só dentro do campus ou via CPT/OPT |
| J-1 | Intercâmbio cultural (high school, au pair, Work and Travel, estágio) | Um sponsor credenciado, via formulário DS-2019 | Depende da categoria do programa |
| M-1 | Cursos técnicos e vocacionais | A instituição de ensino, via formulário I-20 | Praticamente não permite trabalho |
Na prática, a maioria dos programas voltados a estudantes do ensino médio e universitários passa pelo J-1, porque ele é administrado por agências e sponsors que já cuidam de boa parte da burocracia. O F-1 aparece com mais força quando o destino é uma universidade específica ou um curso de inglês de longa duração escolhido diretamente pelo aluno.
Os programas mais procurados por brasileiros
Debaixo desses três vistos vivem formatos bem diferentes de intercâmbio, cada um com público e objetivo próprios:
- High School Exchange: um semestre ou ano letivo em escola pública ou particular americana, geralmente morando com uma família anfitriã. Costuma usar visto J-1, mais comum e mais barato, mas também existe a modalidade F-1, que permite escolher a escola e ficar mais tempo em troca de um custo mais alto.
- Work and Travel (Summer Work Travel): voltado a universitários, permite trabalhar por até 4 meses durante as férias de verão do hemisfério norte, com visto J-1, e costuma terminar com um período livre de viagem pelo país.
- Au Pair: cuidar dos filhos de uma família americana por até 12 meses, extensíveis, recebendo hospedagem, alimentação, bolsa de estudo e um estipêndio semanal mínimo regulamentado pelo Departamento de Estado. Também usa visto J-1.
- Graduação e pós-graduação: curso de nível superior em universidade americana, com visto F-1, que cobre toda a duração do curso e, em alguns casos, permite trabalhar depois pelo programa OPT.
- Curso de inglês de curta duração: algumas semanas a poucos meses em escola de idioma, geralmente com visto F-1 para cursos de tempo integral, ou como turista quando a carga horária é bem reduzida.
- Estágio e trainee: período remunerado ou não em empresa americana para quem já está na faculdade ou recém-formado, usando visto J-1 nas categorias Intern ou Trainee.
Quanto custa o processo (sem contar o intercâmbio em si)
| Taxa | Valor aproximado |
|---|---|
| SEVIS I-901 (visto F-1 ou M-1) | US$ 350 |
| SEVIS I-901 (visto J-1, maioria dos programas) | US$ 220 |
| Taxa consular (MRV), após o DS-160 | US$ 185 por pessoa |
| Total só das taxas obrigatórias | US$ 405 a US$ 535, dependendo do visto |
Esse valor não é reembolsável mesmo se o visto for negado na entrevista, e ele cobre só a parte migratória. Mensalidade da escola, hospedagem, seguro saúde, passagem aérea e o custo de vida durante o programa entram numa conta bem maior, que varia conforme o destino e a duração escolhida.
Como funciona o processo, do aceite à entrevista
A ordem costuma ser sempre a mesma, independente do programa: primeiro vem a aceitação da escola ou do sponsor, depois o pagamento das taxas, e só então o agendamento da entrevista no consulado americano. Vale entender o papel de cada sigla antes de começar.
- I-20
- Documento emitido pela escola ou universidade para quem vai usar visto F-1 ou M-1. Comprova a vaga e é exigido para pagar o SEVIS fee e agendar a entrevista
- DS-2019
- Equivalente ao I-20, mas emitido pelo sponsor de um programa J-1, como au pair, Work and Travel, high school ou estágio
- SEVIS
- Sistema do governo americano que rastreia estudantes e intercambistas estrangeiros durante todo o programa
- DS-160
- Formulário eletrônico obrigatório para qualquer visto de não imigrante, preenchido antes de agendar a entrevista
- Taxa MRV
- Taxa consular paga para ter direito a uma entrevista de visto, não reembolsável mesmo em caso de recusa
- Sponsor
- Organização credenciada pelo Departamento de Estado, responsável por administrar o programa J-1 e emitir o DS-2019
Depois de reunir o I-20 ou o DS-2019, o candidato paga a taxa SEVIS, preenche o DS-160, paga a taxa MRV e só aí consegue marcar data na embaixada ou no consulado. A fila de agendamento varia bastante ao longo do ano, principalmente entre maio e agosto, quando a maior parte dos programas de verão está sendo organizada.
Documentos brasileiros que pedem tradução juramentada
Toda documentação acadêmica e financeira emitida no Brasil precisa ser traduzida por um tradutor juramentado antes de ser apresentada à instituição americana ou ao consulado. Os mais pedidos costumam ser:
- Histórico escolar, para matrícula em escola, graduação ou curso técnico
- Diploma, para quem vai fazer graduação ou pós-graduação
- Certidão de nascimento, exigida por escolas de ensino médio e por agências de au pair
- Comprovante de proficiência em inglês, quando o resultado foi emitido em português ou precisa ser anexado junto de outros documentos
- Extrato bancário ou declaração de imposto de renda, para comprovar capacidade financeira
- Carta-convite ou declaração de hospedagem, trocada com a família anfitriã em programas de au pair e high school
Trabalho e seguro saúde durante o intercâmbio
Quem entra com visto F-1 só pode trabalhar dentro do próprio campus durante o curso, e precisa esperar cerca de um ano para solicitar programas como CPT (estágio ligado ao curso) ou OPT (autorização de trabalho após a formatura, geralmente por 12 meses). Já o J-1 depende inteiramente da categoria do programa: o Work and Travel autoriza trabalho remunerado durante os meses de verão, o au pair é, na prática, um trabalho remunerado dentro de casa, e o high school exchange normalmente não permite trabalho nenhum.
Seguro saúde também é obrigatório, mas a exigência muda de programa para programa. Sponsors de au pair e Work and Travel costumam incluir o seguro dentro do próprio pacote. Quem vai para graduação ou curso de inglês, por outro lado, geralmente contrata por conta própria, seguindo o valor mínimo de cobertura exigido pela universidade.
O que ainda falta organizar depois do visto aprovado
Conseguir o visto é a parte que mais gera ansiedade, mas não é o fim da lista. Antes de embarcar, ainda sobra:
- Moradia: dormitório da universidade, casa da família anfitriã ou apartamento próprio, dependendo do programa
- Conta bancária americana ou cartão internacional para movimentar dinheiro sem taxas abusivas
- Celular com plano local, geralmente resolvido só depois da chegada
- Seguro-viagem complementar, mesmo já tendo o seguro obrigatório incluído no programa
- Cópias física e digital de toda a documentação traduzida, guardadas separadas da bagagem despachada